Blog Maria Toscano

fim de 2018, início de 2019: balanço pela socióloga que há em mim

fim de 2018, início de 2019: balanço pela socióloga que há em mim

À socióloga que há em mim cumpre posicionar-se face aos tempos sociais que vivemos.

Os rituais são procedimentos colectivos de afirmação e renovação cultural ou sócio-cultural, se preferirem.

Os ‘rituais de passagem’ encontram-se entre os múltiplos rituais que todas as sociedades conhecem e mantêm (sendo variáveis os seus conteúdo e modo de praticar): aliança familiar, dogma simbólico-religioso, tabu cultural, mobilidade social. E são fulcrais.

Falamos de múltiplos ‘rituais de passagem’: a da adolescência para a idade adulta (rapazes e raparigas); passagem da condição anterior e posterior à de procriador (mãe e pai); passagem da situação de inactivo à de socialmente produtivo (aprendiz e trabalhador); passagem da condição de desconhecedor à de especialista (estudante e profissional); passagem de estações, passagem de fases mitológicas ou passagem de ano. Estes alguns ex.ºs dos múltiplos rituais que todas as sociedades conhecem e mantêm – sendo, repito, variável o seu conteúdo e o modo de os praticarem.

Na passagem de ano, um balanço do passado é expectável, antes da formulação dos votos e desejos – individuais e comunitários – para o rumo do futuro ano.

Este ano foi particularmente surpreendente, do meu ponto de vista, no que se refere i) ao mapa ideológico mundial – crescimento da extrema-direita, assumido e consolidado por actos legais; e ii) à dispersão de padrões identitários clássicos como a pulverização de refugiados e escravos laborais; ou a dispersão de padrões familiares, de género e de cidadania em geral.

Sem fazer aqui um mapa ou estudo sistemático destes dois vectores sociais da mudança global, o que me proponho é sublinhá-los neste momento de fecho do velho 2018 e de preparação para a chegada do novo ano 2019.

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Ensinam-nos os especialistas dos “estudos das mentalidades” que os vectores simbólico-representacionais são dotados de propriedades de ‘rarefacção’ e ‘condensação’ – mais do que a ilusória visão superficial que substitui ‘novos’ valores e quadros representacionais aos ‘velhos’- quer na perspectiva da transição, da ruptura, da dialéctica ou da reconfiguração desses fenómenos. Estas úteis e fundamentais escolas de pensamento e análise social não esgotam nem substituem aquela perspectiva, a saber: independentemente da ‘velocidade’, da ‘mecânica’, da ‘conflitualidade’ ou dos processos envolvidos, as dinâmicas representacionais são conjuntos vivos, co-construídos e reproduzidos que se mantêm enquanto ‘fazem sentido’ e não surgem outros que os substituem – por fazerem mais sentido, logo, por serem socialmente considerados melhores.

Ora, a construção do sentido é assaz complexa, sabendo contudo que, longe de ser processada apenas aos níveis expressos, explícitos, conscientes e assumidos, também ( e sobretudo?) se processa – se co-processa relacionalmente, corrijo – aos níveis ocultos, implícitos, inconscientes e latentes. Desta feita, em níveis desconhecidos e não acessíveis.

Tal complexidade tem sido reforçada pelos estudos interculturais ao mostrarem que a construção das identidades sociais é culturalmente embebida pelos vectores dominantes ou não dominantes da cultura de inserção dessas identidades. Assim, sabemos que os valores culturais – e os traços identitários – do poder e do sucesso estão associados a culturas individualistas; ao passo que as culturas colectivistas estão associadas aos traços identitários da submissão colectiva ou pertença comunitária.

Por outro lado, os estudos de educação e pedagogia intercultural apontam para o que historiadores, sociólogos e antropólogos também sublinham, em convergência: os padrões ou modelos educativos e socializadores que emitimos configuram e predispõem comportamentos ou, pelo menos, atitudes. Mas ainda há outro elemento a considerar: o silêncio ou a ‘omissão socializadora’, digamos assim, face aos modelos que se pretendem abandonar ou superar.

Se o que é acentuado tem o seu valor potencializado, ocorre, por outro lado, que o que se silencia – por ser violento, nojento, terrível, assustador, etc – não se explica e, assim, não se desconstrói, podendo ganhar em fascínio, curiosidade, deturpação, esquecimento, deformação e, mesmo, falsificação.

Penso, em concreto para o caso português, na difícil relação que a minha geração e a anterior a mim tivémos – temos tido – com os modos sociais, seus procedimentos, instituições, princípios e fundamentos anteriores à nossa sociedade democrática. Falo do antes-25 de Abril, da Guerra Colonial, do fascismo e da inerente miséria económica e ‘moral’.

O mesmo terá ocorrido com outros povos onde a progressão da extrema-direita tem sido subscrita, concretamente no que se refere ao III Reich, aos nazismos e a várias doentias sociedades que, não conseguindo falar dos seus tabus, dos seus medos, dos seus mortos, das suas traições entre irmãos e amigos, consentiram no respectivo esquecimento, deformação e falsificação e, para os espíritos mais jovens e desinformados – ou inseguros -, alimentaram o fascínio, a curiosidade e o encantamento à volta desses modelos ideológicos e político-sociais de extrema-direita.

Não estou a afirmar que o fascismo português foi igual ao nazismo alemão: escalas distintas impõem diferenças nas suas diversas obras, ainda que ambas informadas, isso sim, na mesma bateria de valores racistas, exclusores, mortíferos e infernais de concepção e política da vida humana.

Somos os protagonistas da desagregação da modernidade e das suas instituições e fundamentos centrais. Esta desagregação foi genialmente resumida, em Bauman, pela metáfora do ‘líquido’: ‘vida líquida’, ‘amor líquido’, ‘tempo líquido’, etc… Somos os que estamos a fazer a transição entre o ‘sólido’ da engrenagem, dos valores, dos estados e instituições, e do próprio percurso de vida de cada cidadão até meados dos anos 70 [crescer, estudar, trabalhar, constituir família, ter um emprego toda a vida até passar à reforma] e outra configuração de sociedades que ainda não sabemos como serão.

Uma certeza as ciências sociais confirmam: tudo o que é socialmente e relacionalmente construído, é socialmente e relacionalmente mutável – ou seja: nada é fatal nas realidades sociais.

O medo da mudança ( o medo do ‘líquido’), associado a pouca, rara ou muita desinformação dos modelos sociais totalitários e aparentemente estáveis, com poderes hierarquizados e exercidos de forma alegadamente clara, estruturada e forte – eis o que está na base da crescente subida das extremas-direitas legais, em processos populistas que assediam pessoas e massas inseguras.

Trump e Bolsonaro são bons exemplos do que falhou na socialização (co-construção de modelos ) e educação ( fundamentos e conteúdos ) dos valores democráticos. Melhor: eles são exemplos de que a popularização não garante a democratização.

Enquanto continuarem a ser eficazes relacionalmente ou societariamente, os valores da discriminação e da exclusão – por cor de pele, por opção parental, por orientação sexual, ou por origem étnica ou social ou condição de género – podem rarefazer-se, mas, na melhor oportunidade, condensam-se e bloqueiam a livre circulação dos valores ‘líquidas’.

Por isso o avanço da extrema-direita global responde ao medo globalizado (e socializado e instigado) face à mudança e ao diferente. Rarefeitos durante duas ou três gerações, os valores mais retrógrados e desumanos emergem agora, condensando-se por, alegadamente, acenarem com prioridades culturais e traços identitários que associam o sucesso ao individualismo. 

Somos protagonistas deste processo social.

Ora, e sem querer cair no organicismo do séc. XIX, não só sabemos que há vários componentes líquidos que alimentam a vida, para além da água (sémen, seiva, sangue…), como também somos chamados a reconhecer a diversidade dos estados desses vários componentes.

‘Mais vale tarde do que nunca’ – diz o povo. E se tem havido responsáveis que o perceberam, todos temos de perceber que há que continuar a fazer um tremendo trabalho pela memória.

Reconstruir memórias, re-contar e re-situar o que de terrível e irreversível se tem feito ( e continua a fazer) nas sociedades, para vincularmos os jovens (e não só) ao futuro, em vez de ficarem hipnotizados por narrativas deturpadas da extrema-direita.

Portanto, o foco é o futuro; mas tem de fazer-se num presente bem enraizado no passado e enfrentando e assumindo todos as suas vertentes.

A vida digital permite mentir, ficcionar, iludir e informar. Chegar a muitos e em tempo instantâneo. Aprofundemos estas redes e meios para des-construir a ‘força segura’ dos modelos exclusores.

Mas não dispensemos o contacto com quem viveu e conhece a experiência diária e pode testemunhá-la. Por isso o trabalho sobre a Memória tem de ser ainda mais feito: lembrar para conhecer e, a partir daí, avançar; em vez de esconder ou adiar a verdade.

Na onda que estamos a cavalgar há múltiplas gotinhas de mudança e esperança que irão dar à costa; é essa a nossa rota.

Que 2019 será um ano de adensar das desigualdades, é o rumo traçado pelas políticas económico-finaceiras – mutáveis e que urge re-orientar.

Como urge aprofundar as memórias colectivas e as mentalidades sociais, de modo a que os ‘pacotes representacionais da exclusão’ deixem cada vez mais de fazer sentido. Laboremos para o ‘esfumar dos quadros representacionais exclusores’,  em vez de mantermos a categoria da reprodução dos quadros representacionais, por ‘rarefacção/condensação’ (por enquanto).

Bom Ano de 2019 a todos e todas.

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M.ª de Fátima Toscano. Socióloga (PhD).

Coimbra, 30 de Dezembro / 2018.

Sessões de Coach Neurolinguístico: estudantes e mulheres

Sessões de Coach Neurolinguístico: estudantes e mulheres

O fim do 1.º período escolar e a época natalícia podem ser desgastastes para estudantes e pais.

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Para além das sessões habituais de Coach Neurolinguístico, nos dias 7 e 8 de Dezembro pode usufruir, na Figueira da Foz, :

i) de sessões especificamente focadas em situações próprias dos estudantes: resistência a estudo/matérias, motivação e concentração; 
ou

ii) de sessões vocacionadas para a condição social stressante (‘dupla tarefa’) da mulher.
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Reconhece-se nestas situações? Venha com os seus filho/a!

A Programação Neurolinguística dispõe de ferramentas adequadas para soluções rápidas – e eu apoio na sua decisão de melhorar a sua vida e a dos seus filhos/a.

Marcações: @MariaToscanoCoachPNL

Sexta 07 Dez. das 15h-21h

Sábado 08 Dez. das 18-21h.

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Maria Toscano – Coach Neurolinguístico.
Sessões Presenciais por marcação:

Coimbra, Figueira da Foz, Matosinhos, Porto e Lisboa [por mensagem privada]
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#mariatoscanopnl
#100responsável #100responsible #reinventeasuavida
#pnl #coachpessoal #personalcoach #lifecoach #womancoach #teencoach #studentcoach #coachneurolinguístico

https://www.facebook.com/events/1106252422889459/

Sessões e Oficinas – atentem nas propostas e façam as vossas

Sessões e Oficinas – atentem nas propostas e façam as vossas

Tem estado em instalação o Espaço Maria Toscano em. Coimbra – Centro Comercial Avenida, Loja 307 no 3.º piso – e podem já apreciar-se os belos spots publicitários nas janelas que dão para a Av. Sá da Bandeira.

Falta a montra – a seu tempo será decorada.

 

O que importa, aqui, é asumir o compromisso de que podem agora fruir

  • de Sessões Transformadoras – individuais, de Família e de Grupo ou equipa, a partir de PNL [Programação Neuro-Linguística]; como de PRSI [ o modelo de análise e intervenção sociológica de trajectórias que venho construindo desde os anos 90, para requalificação de vivências de pobreza e luto, entre outras];

 

  • de Oficinas Criativas – de leitura, respiração, relaxamento, canto e escrita, entre outras.

 

  • de Workshops e outras Acções Formativas – também em parceira.

 

 

Os contactos para mais informações e as propostas de criação de parcerias – [partilha do Espaço, partilha da programação ou proposta de programação]  –

por agora, podem ser feitos através de mensagem privada via Messenger [Maria Toscano].

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Contem comigo!

RE-inventem a Vossa Vida!

 

abertura do Espaço Maria Toscano [Coimbra]: sessões de PNL e PRSI

abertura do Espaço Maria Toscano [Coimbra]: sessões de PNL e PRSI

Caríssimos  e  Caríssimas: depois de algumas mudanças, volta a haver movimento aqui.

Desde logo, mudámos de casa-residência para perto do mar.

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E também nos instalámos no primeiro gabinete em Coimbra, Centro Comercial Avenida

– Espaço Maria Toscano (cuja promoção e marketing estão em vias de…) -,

onde já realizo Sessões de PNL (programação neuro-linguística).

Neste Espaço, pretendo também aprofundar o projecto sociológico de análise e intervenção em trajectórias – PRSI: processos de requalificação sócio-identitária – que venho desenvolvendo há 20 anos;como também serão ali realizadas oficinas, workshops e outras modalidades formativas e/ou criativas, com realce, entre outras técnicas que trabalho, para as de respiração, postura, dicção, leitura, leitura encenada, des-construção de estereótipos e escrita

 

Nota a) as sessões de PNL também podem ser agendadas para a zona do Porto.

Nota b) para já, contactos serão feitos pelo Messenger; assim que a promoção estiver ultimada, daremos coordenadas.

 

 

 

 

 

 

 

[FOTO: entrega do diploma de Practioner em PNL pela Trainer Paula Perdigão. InPNL. Jan/2018]