Uma Certa Maneira de Viver

Sempre que uma guerra perco
eu ergo a minha bandeira
feita de luta e canseira
feita de espanto e arrogância
feita de erro e de infância
com um sabor à alegria
mais o medo e a tristeza
que trago dentro da esperança.

Em cada dia que vivo
eu construo o meu destino
em cada gesto que faço
eu teço o meu pensamento
num tempo de acordar lento
em cada manhã em que nasço.
Porque este tempo e este espaço
não é o canto da lareira
nem a hora do jantar
– é o lugar onde renasço
depois da morte-frieira
é o tempo de acordar
é um tempo lento, lento…

Que a verdade, há-de um dia,
ser a porta da alegria:
hoje é porta da aventura
enquanto a mentira dura.

Maria Toscano. [1.º poema ]
Coimbra, Abril / 1975.

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