Blog Maria Toscano

no dia da água – “janela de maré”, poema de Maria Toscano

no dia da água – “janela de maré”, poema de Maria Toscano

(…)

 

 

 

 

 

o medo – esse reverso das marés,

seu inimigo mais vil e dissimulado –

é governado pela voz insegura

pelos incertos passos onde a hesitação

vai buscar embalo certo e acalento.

– pois só se dá à vida o que de vida se habite

e o habitáculo do vivente respira corajoso.

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sou mais uma entrega da maré

e porque venho pela mão do oceano

liberto, logo à chegada, a resistência,

força contrária ao rumo do desapego

– pois só se dá à vida o que de vida se habite

e o habitáculo do vivente desliza vagaroso

pelo líquido amniótico da entrega.

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sou mais uma entrega da maré

e porque chego pelo mover das vagas

abdico de todo o gesto oponente

ou rival da delicada oscilação

– pois só se dá à vida o que de vida se habite

e o movimento do vivente germina cuidadoso

pelo líquido amniótico da entrega.

(…)

Figueira da Foz. Casa do Caes. 14 e 22 Novembro /2015.

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fragmento do poema ‘janela de maré’ de ‘porto de prata. Livro Primeiro. In Colectânea Ciclo da Prata. 5 Livros de Poesia de maria Toscano.. Coimbra, Palimage ed. Dez/2017: pp. 14-15.

‘anunciando a lua cheia e o fulgor da brasa do sol’ poema pela Primavera de 2018 – 20 Março, 16:00hs

‘anunciando a lua cheia e o fulgor da brasa do sol’ poema pela Primavera de 2018 – 20 Março, 16:00hs

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uma névoa a ligar teu pulso a meus dedos a unir meus dedos a

teu pulso a juntar esta mão, até há pouco minha, a essa mão, até

há pouco tua.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

um raso laivo a maresia, uma brisa ou bruma cálida, vagabundeando

pelo verão, anunciando a lua cheia e o fulgor da brasa

do sol, digo, dos sóis que são nossos corações, abrasados de mel.

 

porque há uma chuva de mel, uma rasa maré dourada, digo, de

prata dourada, pois se todo o sal aqui se converte à prata, mais

nenhum outro travo sobrevive sem o mel, o teu mel, o meu mel,

o mel, esse, que até há pouco era pobre e tristonho, de tão só.

porque a lua nova me aconchega.

porque a lua nova te resguarda.

 

uma memória única e nova – disse, memória nova, pois tudo

o que sei e recordo nada é comparado com o lume e o raspar da

dança de nossos dedos, até aqui meus, até aqui, teus.

porque a lua é nova eu nasço.

 

um perfume, apenas um perfume eivado de energia

e vibração.

 

podia fechar os olhos e reconheceria o teu doce enlace com ar com

oxigénio entre as polpas dos nossos dedos.

 

uma descoberta, um sentimento de alerta e curiosidade intensas,

um misto de distância objectiva e fusão irracional sem travão.

 

um gesto a descompor o gesto prisioneiro dos dias.

pode morrer todo o movimento.

deste luar – deste tocar –

nunca mais serei desprovida.

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Maria Toscano.

[escrito na Figueira da Foz. Casa do Caes. 18-19 Junho /2015.]

In “mel de prata. Livro Quarto.” – Ciclo da Prata. 5 Livros de Poesia.Colectânea. Palimage ed. Dezembro/2017, pp. 86-87.

imagem: Maria Toscano. Campo Maior. casa da avó Amália. 3 Agosto/2014. [captação por Iphone]

Bendições. [Poema.] Maria Toscano. “Ciclo da Prata”, p. 42

Bendições. [Poema.] Maria Toscano. “Ciclo da Prata”, p. 42

Bendita esta cavalgada de espumas.


 

 

 

 

 

 

Bendita esta amurada de águas.

 

Bendito o forte sabor do ar de iodo.

 

Bendito o azul espelhismo transparente.

 

Bendita a tua voz, ó maré alta!

 

Bendita a tua entroncada presença

de vibrações mágicas e sal, ó mar!

 

Bendito quem te visita e contempla.

Bendito quem te lavra e semeia.

 

Benditos, tu e eu e todos vós/

mirones comovidos da prata líquida,

desta costa de pratas e áureos amores.

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[Figueira da Foz. 20 Abril /2015]
In ‘mar de prata. Livro Segundo.’
“Ciclo da Prata”, Colectânea de 5 Livros de Poesia de Maria Toscano.
Palimage editores, Dez./2017, p. 42.