Blog Maria Toscano

no dia da água – “janela de maré”, poema de Maria Toscano

no dia da água – “janela de maré”, poema de Maria Toscano

(…)

 

 

 

 

 

o medo – esse reverso das marés,

seu inimigo mais vil e dissimulado –

é governado pela voz insegura

pelos incertos passos onde a hesitação

vai buscar embalo certo e acalento.

– pois só se dá à vida o que de vida se habite

e o habitáculo do vivente respira corajoso.

.

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sou mais uma entrega da maré

e porque venho pela mão do oceano

liberto, logo à chegada, a resistência,

força contrária ao rumo do desapego

– pois só se dá à vida o que de vida se habite

e o habitáculo do vivente desliza vagaroso

pelo líquido amniótico da entrega.

.

.

sou mais uma entrega da maré

e porque chego pelo mover das vagas

abdico de todo o gesto oponente

ou rival da delicada oscilação

– pois só se dá à vida o que de vida se habite

e o movimento do vivente germina cuidadoso

pelo líquido amniótico da entrega.

(…)

Figueira da Foz. Casa do Caes. 14 e 22 Novembro /2015.

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fragmento do poema ‘janela de maré’ de ‘porto de prata. Livro Primeiro. In Colectânea Ciclo da Prata. 5 Livros de Poesia de maria Toscano.. Coimbra, Palimage ed. Dez/2017: pp. 14-15.

Bendições. [Poema.] Maria Toscano. “Ciclo da Prata”, p. 42

Bendições. [Poema.] Maria Toscano. “Ciclo da Prata”, p. 42

Bendita esta cavalgada de espumas.


 

 

 

 

 

 

Bendita esta amurada de águas.

 

Bendito o forte sabor do ar de iodo.

 

Bendito o azul espelhismo transparente.

 

Bendita a tua voz, ó maré alta!

 

Bendita a tua entroncada presença

de vibrações mágicas e sal, ó mar!

 

Bendito quem te visita e contempla.

Bendito quem te lavra e semeia.

 

Benditos, tu e eu e todos vós/

mirones comovidos da prata líquida,

desta costa de pratas e áureos amores.

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[Figueira da Foz. 20 Abril /2015]
In ‘mar de prata. Livro Segundo.’
“Ciclo da Prata”, Colectânea de 5 Livros de Poesia de Maria Toscano.
Palimage editores, Dez./2017, p. 42.
para Graça Capinha: a maior metáfora de Ciclo da Prata de Maria Toscano é…

para Graça Capinha: a maior metáfora de Ciclo da Prata de Maria Toscano é…

“este texto do ‘Ciclo da Prata’ (…) é uma poesia de mar, uma poesia de marés …

… e… esse espaço marítimo e líquido é aqui associado

– talvez seja essa a maior metáfora do texto – é aqui associado ao amor. (…)”.

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Prof.ª Doutora Graça Capinha da Fac. Letras da Universidade de Coimbra.

Fragmentos da sua Apresentação expressamente vídeo-gravada (27 minutos) para o lançamento da Colectânea Ciclo da Prata

em Coimbra na Casa da Escrita, a 8 Dezembro/2017.